1.9.05

Contra-indicações, vide bula

Esqueci de levar as unhas que cortei para o lixo. Lá elas ficaram e me fui, ninguém da minha família quis levá-las, pois eram realmente de aparência esdrúxula. Mais uma vez esqueci. Esqueci. O esquecimento se torna cada vez mais freqüente em minha vida. Parece que por fim, as contra-indicações resolveram trabalhar. Efeito retardado, porém me transformando em um verme. Definitivamente, um péssimo momento para elas se tornarem minhas parceiras. Com este relato, não quero encontrar uma explicação para com quem magôo com minha ineficiência inesperada, minhas faltas. Com as palavras já não busco nada, mais nada. Apenas ações e atitudes provarão o que as palavras não podem provar.

Acabei de ler o parágrafo acima. Disse que não procuro uma explicação para dar à pessoa(s) que causo dano. É, realmente é isso. Mas parece então que busco uma explicação para mim (?). Assim é a vida, parece sempre que buscamos uma explicação para nossas falhas, por mais que saibamos que elas existem, temos que tentar encontrar uma ‘explicação’ para não nos tornarmos o mais sujo dos homens, já que sou o único que conhece o podre myself. Cada um sabe mais de si do que do próximo então, se essa explicação não existe para o ato errado, empacamos no primeiro monte de cocô feitos por nós mesmos. O mais bonito seria mesmo errar e não buscar essa explicação. Mas não acredito muito na eficiência humana para esse quesito. Dependemos de algumas coisas para poder melhorar ou simplesmente para nos confortar.

Agora, cabe a mim, aprender com o erro e continuar a esculpir minha imagem perante quem gosto e a mim mesmo, pedra a pedra, dia a dia.

Espero não esquecer isso também.

Talvez as contra-indicações desapareçam quando volte a utilizar o que se aprecia com a mente. Mas de qualquer forma, isso não se trata de síndrome de abstinência. E também é bem provável que isso que chamei de contra-indicação seja apenas uma explicação pro ato falho. Caralho, é isso.

(( Morphine - The Night ))