Começo, meio e, fim?
O melhor amigo que tive quando criança, era como um irmão. Com ele, fiz várias doideiras que se faz quando criança e começo da adolescência. Alguns anos de convivência nos renderam um laço maior do que poderíamos supor e também muitas fotos. Um dia, soubemos que ele iria embora, de onde veio, o Chile. A despedida foi algo doloroso mas normal também, já que não tínhamos muita noção das coisas. Ainda com 11 anos, ele faria sua vida em outro país, com sua família. E assim foi, anos se passaram e nunca mais tive notícias dele, nem ele de mim.
Um dia qualquer de 1999, já tinha voltado da faculdade e era mais ou menos a hora do almoço. Toca o interfone e uma voz diz: “Fábio? Tudo bem?? Quanto tempo! É o Darko! (...)” Algo inacreditável, não parecia real. Enquanto ele subia, eu falava para uns amigos que estavam comigo em casa:”Nossa, não acredito! Um amigo meu que não vejo há anos está subindo!” * Era um misto de felicidade e algo que parecia mentira. Então me encontro com ele, nos abraçamos, parecia mentira. Desde esse dia, fizemos várias coisas em sua passagem pelo país. Foram dois meses em que podemos perceber como era real nossa amizade e que sempre nos demos bem de verdade. Além de perceber que tínhamos também muita afinidade em muitos assuntos.
Chegou então o dia em que ele se foi. Voltou para seu país e continuou sua vida. Tentamos trocar cartas, mas não deu certo. Não sei o porquê, mas esse negócio de cartas é difícil de dar certo. Cartas é um negócio bem legal, mas um saco.
Passados mais ou menos uns seis meses de sua ida, pela manhã meu pai me diz que ligaram do Chile e que ele estava morto, sofrera um acidente de carro.
Bem, e agora que essa estória teve um começo, um meio e um fim, literalmente, o que posso supor? O destino existe? Tudo já está escrito? Parecia ser uma despedida, de dois espíritos que tinha uma ligação verdadeira, independente de tempo e espaço. Ou será que tudo não passa de uma mera coincidência?
Recebi um e-mail hoje da mãe dele querendo manter um contato**. Tenho também contato com um amigo dele, que conheci após sua morte.
Talvez a história não tenha chegado a um fim ou talvez, sejam apenas os resquícios de algo finalizado. Talvez como nós, nosso planeta, apenas um resquício de uma grande explosão. O começo de tudo ou o apenas o fim de algo.
Bem, quem crê em destino, essa estória talvez seja um bom exemplo, para quem não crê, é algo a se pensar. Eu não sei se creio, talvez sim, talvez não, mas que fico a pensar, isso sim. Já que parece estar bem claro que ele veio ao Brasil como uma despedida antes de morrer.
*O Primeiro encontro
Era hora do almoço, estávamos prontos para estourar alguns neurônios. Tudo pronto, só esperando o momento de “catch a fire” e então toca o interfone (Mas que hora!). De qualquer forma pensei que era melhor antes do que durante. E quando atendo é ele, o Darko, o cara que não via há tempos. A atividade foi adiada para fazermos a recepção. Depois de recepcionado, conversa vai, conversa vem e não sabia como chegar ao assunto. É difícil chegar ao assunto, muitas pessoas se ofendem. Bom, por fim cheguei. E ele responde que de vez em quando, quase nunca, mas enfim, não se incomodava. Aos poucos, depois de já relaxados, ele pede para preparar um e vimos o quão experiente era e quão cabeçudo também. E no fim das contas, ele me trazia até dentro da mala sementes que ele pegara na plantação do amigo. Pode?
**A mãe
A mãe dele, na verdade, já havia me escrito uma carta, querendo manter um contato e dentro da carta, muitas fotos dele e da passagem pelo Brasil. Eu, bronco que só, não respondi a carta. Além de fotos e letras, havia também uma matéria de jornal mostrando o acidente. Quando contei ou mostrei pra alguém, comentaram ser algo um tanto mórbido. Tive que concordar.

4 Comments:
eu creio em destino... mas não saberia dizer em q estágio está essa estória...
e como te disse, não acho assim tão mórbida a atitude da mãe dele...
fico feliz que tenham podido se despedir, e é emocionante a parte em que vc não acredita que ele pode estar subindo no elevador a seu encontro... mesmo.
fico mais feliz ainda que tenha tido um amigo assim, de quem tenha gostado tanto e tenha sido recíproco, pois tem gente que passa a vida toda sem conhecer a amizade verdadeira.
bjos.
Demais essa história, vc consegue realmente transpor o que sentiu, gosto do jeito que vc escreve.
Realmente acho que foi como vc disse uma despedida de dois espiritos que tinham uma ligação, ele deveria ter mesmo muita vontade de te ver, eu mesma não sei se teria coragem de aparecer assim do nada na casa de alguém que não via há anos, sei lá teria medo da pessoa achar meio nada a ver, ou não ser bem recepcionada, mas acho que quando se esta próximo do fim, deve ter algo lá dentro que faz com que façamos mais o que temos vontade, mesmo ele não sabendo que iria partir.
Eu acredito em destino, em vida após a morte, se bem que as vezes acordo sem acreditar em nada, mas prefiro acreditar que exista algo mais, acho que faz com que tudo tenha mais sentido, é como a peça do quebra-cabeça que tá faltando, sei lá melhor parar por aqui , já tou começando a viajar, esse assunto é complicado dá pra ficar horas e horas falando, pensando sobre isso...
muito ótimo mesmo o comentário da senhorita acima.
agora me responda uma coisa: por que será que eu não ofusco como vc consegue? =)
e, escreva mais, seu coiso!
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