cola de mono
o rabo do ancestral
9.1.06
3.1.06
O Ciclo
Os estrondos de fim de ano, como as luzes natalinas, não encontram em mim um hospedeiro fiel. Elas não me atingem. (O Passado). Há um tempo atrás sim, me atingiam, me abalavam. Quando criança, a espera pelo regalo me fornecia ansiedade. Boa essa ansiedade que assim me contentava com a época, assim com as luzes, assim com os estrondos. (O Presente). Os anos passaram, e os presentes já não me causavam euforia, assim, as cores das luzes já não brilhavam como antes. Toda uma vida, pode-se dizer muito curta ainda, porém com fatos que nos fazem com que luzes, essas irreais, se ofusquem e não passem de uma fantasia que apenas depende de mim, se a permito que adentre.
Mais um fim de ano chegou, e cada vez mais rápido eles chegam. Essa rapidez tem sua teoria, e é através dela que o tempo e a ansiedade já não têm mais tanto valor, pois não há tempo para que se dê a ansiedade, para que o sonho seja sonho. O resultado, cada vez ganha mais espaço na escala de importância do que os meios. Os fins cada vez mais ofuscam os meios. E assim, pronto, já é natal, pronto já é ano novo. Mas muito bem! Muito bem! É época de praticar a bondade, de nos tornarmos solidários. Como assim? É época? E então o resto, a outra época? O que se faz com ela? Se vive, esquecendo assim o verbo praticar a bondade.
(O Futuro). Agora, possivelmente o brilho volte, as luzes acendam, pois serei criança de novo. Serei o que é tão difícil, mas é tão fácil. E a fantasia, essa não será apenas no fim e sim no começo, no meio e no fim.
(Richard Anthony - Aranjuez, Mon Amour)

